O poema de Manoel de Barros, traz em seu título um certo estranhamento, como alguém pode ser um apanhador de desperdícios? Talvez esse desperdicio refere-se às coisas simples da vida e que para muitos passa despercepido, são desimportantes, mas que são valorizadas pelo eu-lírico. Como nos versos a seguir:
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Os versos transmitem um certo desapego aos bens da era moderna:
Prezo insetos mais que aviões.
prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Os versos seguem livres. No primeiro verso, o poeta diz que usa palavras para compor silêncios, parece uma ideia contraditória, pois como usar palavras para compor silêncios? Mas esse silêncio pode ter um certo sentido, pode ser o silêncio das palavras fatigadas de informar que o eu-lírico diz não gostar e respeita aquelas mais simples, que metaforicamente o poeta se refere sendo àquelas que vivem de barriga no chão tipo água pedra sapo.
O eu-lírico mostra seu amor pelo campo, onde vive desde sua infância.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior que o mundo.
A modificação no sentido de algumas palavras , a liberdade dos versos, a personificação dos objetos, de animais e de paisagens unem-se com temas ligados à infância, à inocência e ao campo para dar origem ao texto.
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