segunda-feira, 8 de março de 2010

Camões - Drummond

Continuando as tentativas de análise.....



Luis de Camões/ Carlos Drummond de Andrade

O soneto de Camões, na sua forma petrarquiana, tem dois quartetos e dois tercetos, tendo como ordens de rimas abba/abba/cde/cde.
O soneto de Drummond também tem na sua forma dois quartetos e dois tercetos, diferentemente de seus estilos notórios de poesia. Penso que deve-se a homenagear o estilo propagado por Camões, já que o nome do poema e seu primeiro verso remetem a uma poesia de Camões. Porém essa "homenagem" não é seguida exatamente à risca, já que tem ordem de rimas cruzadas nos dois quartetos ( abab/abab) e nos dois tercetos, as rimas são ainda menos frequentes: cdc/ede.
Em Camões, o passado é o ponto crucial, já que vive seu presente em função do que deixou de fazer ao amar intensamente. Essa amargura retratada no poema é tanta que Camões joga suas culpas à Fortuna (o destino) pela vida que poderia ter sido feliz, mas não foi. Já nos últimos versos Camões pede, a quem possa fazer, que a extraísse a culpa de não ser feliz e as vinganças cometidas no passado de seu interior ( seu Gênio difícil).
Já Drummond sente prazer em reviver através da fotografia um amor que um dia foi imensamente doloroso, mas que dele não guarda mágoas, pois já passou o tempo devido, cousa que Camões não obtivera ainda.
Usa metáforas sobre o alvorecer para relatar a intensidade que já fora aquele amor a qual ele se refere, provavelmente em seu início e que ao reavivar essas lembranças, apaga totalmente tudo o qual fora horroroso e cruel.
A principal diferença e semelhança entre os dois textos é que falam sobre o mesmo tema, um amor muito intenso que não obtivera os resultados esperados; porém, a dor de Camões ainda é viva e dolorida, e a dor de Drummond ficou no passado, e o tempo a curou.

Um comentário:

Pós-graduação em Língua Portuguesa - ISE Vera Cruz disse...

Flávia
Em linhas gerais você observou bem as diferenças e semelhanças entre os dois textos. Acho que que Camões não cupa à Fortuna. Ela é um dos elementos que fazem seu infortúnio.
Um abraço.
Claudio